Decifrando a Mente: A Ciência Revela que Seus Sonhos Não São Aleatórios

29-04-2026

Por que alguns sonhos parecem tão reais, enquanto outros são confusos e difíceis de lembrar? Uma nova pesquisa conduzida pela IMT School for Advanced Studies Lucca indica que a resposta está na combinação de características pessoais e experiências de vida, elementos que influenciam diretamente o que vemos e sentimos enquanto dormimos.

O estudo, publicado na revista científica Communications Psychology, analisou mais de 3.700 relatos de sonhos e experiências diurnas de 287 participantes com idades entre 18 e 70 anos. Durante duas semanas, os voluntários mantiveram registros diários de suas vivências, enquanto os pesquisadores coletavam dados detalhados sobre seus hábitos de sono, habilidades cognitivas e perfis psicológicos.

Para processar esse grande volume de informações, a equipe utilizou ferramentas avançadas de Processamento de Linguagem Natural (PLN) baseadas em Inteligência Artificial. Os resultados demonstraram que o cérebro não se limita a reprisar as vivências do dia durante o sono. Em vez disso, ele remodela essas experiências. Ambientes familiares, como locais de trabalho ou escolas, são recriados em cenários vívidos e imersivos que frequentemente combinam diferentes elementos de forma inesperada.

A pesquisa também apontou que a personalidade afeta o estilo do sonho. Pessoas com maior tendência a devanear relataram sonhos mais fragmentados e em constante mudança. Por outro lado, aqueles que valorizam os sonhos e acreditam em seus significados tendem a vivenciar ambientes oníricos mais ricos.

Grandes eventos sociais também deixam sua marca. Dados coletados durante o isolamento da COVID-19 por pesquisadores da Universidade Sapienza de Roma mostraram que os sonhos naquele período se tornaram emocionalmente mais intensos, frequentemente incluindo temas de restrição. Conforme as pessoas se adaptavam à nova realidade, esses padrões gradualmente desapareceram.

"Nossas descobertas mostram que os sonhos não são apenas um reflexo de experiências passadas, mas um processo dinâmico moldado por quem somos e pelo que vivemos", explica Valentina Elce, pesquisadora da IMT School e principal autora do estudo. O uso de IA provou ser capaz de capturar o significado e a estrutura dos relatos com precisão semelhante à de avaliadores humanos, abrindo novas portas para o estudo da consciência e da saúde mental em larga escala.

Fonte: IMT School for Advanced Studies Lucca. Estudo publicado na revista Communications Psychology (DOI: 10.1038/s44271-026-00447-2), em colaboração com a Universidade Sapienza de Roma e a Universidade de Camerino.