Descoberta na Jordânia: Vala Comum Revela o Impacto Devastador da Peste de Justiniano há 1.500 Anos

26-04-2026

"Uma praga nos assolou" pode ter sido o grito de desespero na antiga Jordânia, onde uma misteriosa doença deixou uma marca profunda na história. Hoje, uma equipe interdisciplinar da Universidade do Sul da Flórida (USF) revelou novos detalhes sobre a Peste de Justiniano, que dizimou milhões de pessoas no Império Bizantino. O estudo, publicado no Journal of Archaeological Science, investiga o que é considerado o primeiro surto registrado de peste bubônica no Mediterrâneo.

Liderada por Rays HY Jiang, professor associado da Faculdade de Saúde Pública da USF, a pesquisa foca na experiência humana da pandemia. "Queríamos ir além da identificação do patógeno e focar nas pessoas afetadas, quem eram, como viviam e como era a morte durante a pandemia em uma cidade real", explica Jiang.

A Primeira Vala Comum Confirmada Embora relatos históricos descrevam doenças generalizadas durante a era bizantina, faltavam provas concretas em muitos locais de sepultamento. O antigo hipódromo de Jerash agora é reconhecido como o primeiro local onde uma vala comum relacionada à peste foi confirmada, unindo evidências arqueológicas e testes genéticos (focados na bactéria Yersinia pestis).

Diferente de cemitérios tradicionais que crescem gradualmente, o local de Jerash marca um evento único e extremo. Centenas de corpos foram rapidamente depositados sobre fragmentos de cerâmica em uma área pública abandonada em um período de poucos dias.

Conexões Ocultas e Mobilidade A descoberta reformula o entendimento sobre a sociedade da época. Normalmente, as evidências de cemitérios sugerem que as comunidades permaneciam locais, apesar de dados históricos indicarem viagens e miscigenação entre regiões. Em Jerash, os pesquisadores notaram que ambos os padrões coexistiam.

A vala comum demonstrou que indivíduos de origens nômades, que normalmente viviam dispersos pela região, faziam parte da comunidade urbana mais ampla. Durante a crise extrema da pandemia, essas pessoas foram forçadas a se concentrar em um único local, tornando visíveis conexões sociais que antes eram ocultas.

O Impacto Humano das Pandemias A pesquisa enfatiza que as pandemias vão muito além da biologia; elas são eventos profundamente sociais. O estudo demonstra como a doença se cruzou com a vida diária, a mobilidade e a vulnerabilidade em antigos centros urbanos. "Ao relacionarmos as evidências biológicas dos corpos com o contexto arqueológico, podemos ver como as doenças afetaram pessoas reais", afirma Jiang. Padrões de cidades densamente povoadas, viagens e mudanças ambientais, que foram cruciais na antiguidade, continuam a moldar a forma como as doenças afetam as sociedades modernas.

Fonte

Universidade do Sul da Flórida. "Uma antiga vala comum revela como uma pandemia dizimou uma cidade há 1.500 anos." ScienceDaily, 23 de abril de 2026. Referência do Periódico: Karen Hendrix, Swamy R. Adapa, Robert H. Tykot, et al. Assinaturas bioarqueológicas durante a Peste de Justiniano (541–750 d.C.) em Jerash (antiga Gerasa), Jordânia. Journal of Archaeological Science, 2026; 186: 106473. DOI: 10.1016/j.jas.2026.106473.