Suplementos de Óleo de Peixe Podem Dificultar a Recuperação Cerebral Após Traumas, Aponta Estudo

26-04-2026

Uma pesquisa recente conduzida pela Medical University of South Carolina (MUSC) e publicada na revista Cell Reports levantou novas preocupações sobre o uso de suplementos de óleo de peixe, especialmente para indivíduos que sofrem lesões cerebrais traumáticas leves e repetidas.

A equipe, liderada pelo neurocientista Onder Albayram, descobriu que o ácido eicosapentaenoico (EPA) — um dos principais ácidos graxos ômega-3 presentes no óleo de peixe — pode criar uma "vulnerabilidade metabólica dependente do contexto". Em modelos experimentais, níveis mais altos de EPA no cérebro foram associados a uma reparação mais fraca após impactos.

Ao contrário do DHA (outro ômega-3 amplamente conhecido por seus benefícios neurológicos), o EPA segue um caminho diferente e demonstrou interferir negativamente na estabilidade neurovascular. O estudo indicou que, sob certas condições, o EPA reduz a capacidade de reparação das células que formam a barreira entre o cérebro e a corrente sanguínea, suprime sinais de cicatrização e contribui para o acúmulo de proteínas prejudiciais (tau) associadas ao declínio cognitivo.

Para conectar essas descobertas a doenças no mundo real, os pesquisadores analisaram tecidos cerebrais post-mortem de indivíduos diagnosticados com encefalopatia traumática crônica (ETC) com histórico de lesões repetidas na cabeça, encontrando padrões semelhantes de desequilíbrio de ácidos graxos e alterações nos caminhos vasculares e metabólicos.

Apesar das descobertas, Albayram ressalta que o estudo não deve ser interpretado como um alerta geral contra o consumo de óleo de peixe. O pesquisador destaca que a biologia depende do contexto e que é necessário entender como esses suplementos se comportam no corpo a longo prazo, em vez de assumir que o mesmo efeito se aplica a todos. A pesquisa abre espaço para novas abordagens de "nutrição de precisão" voltadas à recuperação de lesões cerebrais.

Fonte: Medical University of South Carolina / Estudo publicado na revista Cell Reports (Karakaya et al., 2026).