Solidão Prejudica a Memória Inicial de Idosos, mas Não Acelera o Declínio Cognitivo, Revela Estudo Europeu

15-04-2026

Sentir-se sozinho pode impactar a capacidade basal de memorização em adultos mais velhos, mas não parece acelerar o declínio da memória com o passar do tempo. A conclusão é de um abrangente estudo europeu que analisou o impacto do isolamento social no desempenho cerebral de idosos.

Os resultados, publicados na revista científica Aging & Mental Health, baseiam-se em dados do Inquérito sobre Saúde, Envelhecimento e Reforma na Europa (SHARE). A pesquisa acompanhou 10.217 adultos, com idades entre 65 e 94 anos, de 12 países europeus, durante um período de sete anos (com dados coletados entre 2012 e 2019). Pessoas com histórico prévio de demência ou dificuldades motoras graves foram excluídas da análise.

No início do estudo, a maioria dos participantes (92%) relatou níveis baixos ou moderados de solidão. O grupo que relatou níveis mais altos de solidão (8%) obteve pontuações significativamente menores nos testes de memória imediata e tardia. Esse grupo com alta solidão tendia a ser composto por pessoas mais velhas, predominantemente mulheres, e com pior saúde geral, apresentando maiores taxas de depressão, hipertensão e diabetes. Os maiores índices de solidão foram registrados no sul da Europa (12%).

No entanto, ao acompanhar esses indivíduos ao longo dos anos, os pesquisadores notaram que a memória dos mais solitários não declinou mais rapidamente. A taxa de perda de memória foi semelhante à observada nos grupos com níveis baixos e médios de solidão, com uma queda mais acentuada no desempenho geral ocorrendo entre o terceiro e o sétimo ano de acompanhamento.

"A descoberta de que a solidão impactou significativamente a memória, mas não a velocidade de declínio da memória ao longo do tempo, foi um resultado surpreendente", afirma o autor principal do estudo, Dr. Luis Carlos Venegas-Sanabria, da Universidade del Rosario. Segundo ele, isso sugere que a solidão desempenha um papel mais crucial no estado inicial da memória do que em sua perda progressiva.

Diante dessas evidências, a equipe de pesquisadores — que também conta com especialistas de instituições da Espanha e da Suécia — sugere que avaliações de rotina para detectar a solidão sejam incluídas nos exames de saúde cognitiva para idosos, tratando o aspecto social como um fator importante para promover um envelhecimento mais saudável.

Uma limitação apontada pelos próprios autores é que a pesquisa tratou a solidão como uma característica fixa, embora os sentimentos de isolamento possam variar ao longo da vida do indivíduo em resposta a mudanças pessoais ou ambientais.

Fonte: Taylor & Francis Group / Aging & Mental Health.