O Código da Longevidade: Genética Determina Metade da Nossa Expectativa de Vida, Revela Estudo

14-04-2026

O que influencia o tempo que vivemos e quanto disso está escrito em nossos genes? Historicamente, os cientistas acreditavam que a genética desempenhava um papel modesto na longevidade. Estimativas anteriores sugeriam que fatores hereditários explicavam apenas entre 10% e 25% das diferenças na expectativa de vida humana. Contudo, um novo estudo conduzido pelo Instituto Weizmann de Ciências e publicado na revista Science desafia essa visão de longa data.

A pesquisa revela que a genética pode ser responsável por cerca de metade da variação na expectativa de vida humana. Para chegar a essa conclusão, a equipe liderada por Ben Shenhar, do laboratório do professor Uri Alon, analisou extensos bancos de dados de gêmeos da Suécia e da Dinamarca. De forma inédita para esse tipo de pesquisa, o estudo incluiu dados de gêmeos criados separadamente, o que permitiu isolar com maior precisão as influências genéticas das ambientais.

O salto nas estimativas ocorreu porque os pesquisadores conseguiram corrigir um viés das pesquisas anteriores causado pela "mortalidade extrínseca". Utilizando modelos matemáticos e simulações, a equipe filtrou mortes causadas por fatores externos, como acidentes e infecções, separando-as das mortes ligadas ao envelhecimento biológico intrínseco. Ao remover essas influências externas, um sinal genético muito mais forte foi revelado. O estudo também destacou que, até os 80 anos, o risco de morte por demência apresenta uma herdabilidade de cerca de 70% – um índice significativamente maior do que o do câncer ou de doenças cardíacas.

Essas descobertas têm o potencial de reformular as pesquisas sobre o envelhecimento. Segundo os pesquisadores, a confirmação de que a herança genética tem uma influência tão profunda quebra o ceticismo anterior e cria um novo incentivo para a busca de variantes de genes específicas que prolonguem a vida. O objetivo final é compreender melhor a biologia do envelhecimento e, potencialmente, desenvolver novas abordagens terapêuticas.

Fonte: Instituto Weizmann de Ciências / Revista Science (Ben Shenhar et al., 2026).