Níveis de Vitamina D aos 30 e 40 anos podem definir o futuro do seu cérebro
Imagine poder proteger o seu cérebro do envelhecimento décadas antes de os primeiros sinais aparecerem. Uma nova pesquisa publicada na revista científica Neurology Open Access aponta que pessoas com níveis mais altos de vitamina D na faixa dos 30 e 40 anos apresentam menores níveis da proteína tau no cérebro anos mais tarde. Essa proteína é um dos principais marcadores biológicos ligados ao desenvolvimento de demência e Alzheimer.
O estudo acompanhou quase 800 adultos, com idade média inicial de 39 anos e sem sinais de demência, ao longo de impressionantes 16 anos. No início do levantamento, os pesquisadores mediram as taxas de vitamina D no sangue de cada participante. Quase duas décadas depois, exames de imagem cerebral avaliaram a presença das proteínas tau e beta-amiloide.
Os resultados mostraram que indivíduos que mantinham a vitamina D acima de 30 nanogramas por mililitro (ng/mL) — nível considerado alto na pesquisa — apresentavam significativamente menos acúmulo da proteína tau.
O Dr. Martin David Mulligan, da Universidade de Galway (Irlanda) e autor do estudo, faz uma ressalva científica importante: a descoberta demonstra uma associação promissora, e não uma prova de que a vitamina D reduz diretamente o risco de demência de forma isolada. Curiosamente, a pesquisa não encontrou ligação entre a vitamina D e a proteína beta-amiloide, que é outro marcador conhecido do Alzheimer.
"A meia-idade é um período em que a modificação dos fatores de risco pode ter um impacto maior", destaca Mulligan. Isso sugere que o monitoramento dos níveis de vitamina D — um fator que pode ser facilmente modificado e tratado — tem o potencial de ser um forte aliado na preservação da saúde cognitiva ao longo da vida, embora novos estudos sejam necessários para confirmar a relação de causa e efeito.
Fonte: American Academy of Neurology. Estudo publicado na Neurology Open Access (2026).
