A Dinâmica Oculta do DNA: Como o Movimento Constante do Genoma Pode Explicar o Câncer
Como o DNA consegue armazenar e gerenciar a imensa quantidade de informações necessárias para construir e manter um corpo humano? Uma nova pesquisa liderada pelo Dr. Jesse Dixon no Instituto Salk demonstrou que a resposta está na forma como o genoma se organiza e se movimenta em três dimensões dentro de nossas células.
O estudo, publicado na revista científica Nature Genetics, revela que a organização espacial do DNA não é fixa. Pelo contrário, o genoma está em constante transformação, desdobrando-se e redobrando-se repetidamente em velocidades variadas. Os pesquisadores descobriram que as regiões mais ativas do DNA — onde os genes estão sendo constantemente utilizados — mudam de estrutura de forma muito rápida, enquanto as áreas com genes inativos permanecem mais estáveis.
Para caber no núcleo celular minúsculo, os cerca de dois metros de DNA de cada célula humana precisam ser empacotados em alças intrincadas. Esse processo é realizado por um complexo de proteínas chamado coesina, com o auxílio fundamental da proteína NIPBL. Ao inibir a ação da NIPBL em células de laboratório, a equipe observou que a coesina parou de formar novas alças, fazendo com que o genoma se desdobrasse em tempos variados. Isso confirmou que os laços de DNA não são estruturas permanentes, mas sim dinâmicas.
A pesquisadora Tessa Popay destaca que esse dobramento contínuo é essencial para manter a "identidade celular". Nos testes com células cardíacas e neurônios, os cientistas notaram que as regiões responsáveis pela função específica de cada célula eram justamente as mais ativas nessa dinâmica de dobras. Em outras palavras, a constante remodelação do genoma ajuda a célula a "lembrar" sua função original, mantendo ativos os genes certos.
Quando essa máquina de dobramento apresenta falhas ou mutações, o sistema entra em colapso. Isso pode resultar em doenças do desenvolvimento, como a síndrome de Cornelia de Lange. Mais alarmante ainda, o estudo sugere que o câncer pode "sequestrar" esse mecanismo celular, alterando a dinâmica do genoma para manipular a identidade da célula e forçar o crescimento descontrolado de tumores. As descobertas abrem um novo caminho para futuros tratamentos focados em corrigir a estrutura de dobramento do DNA.
Fonte: Instituto Salk / ScienceDaily (Publicado originalmente em 31 de março de 2026)
