Alerta Oculto: Gordura Abdominal Eleva Risco de Insuficiência Cardíaca Até em Pessoas com Peso Normal

20-03-2026

Pesquisa apresentada nas Sessões Científicas EPI|Lifestyle 2026 da Associação Americana do Coração (AHA), em Boston, aponta que a obesidade central (gordura visceral) aumenta significativamente o risco de insuficiência cardíaca. O principal mecanismo por trás dessa perigosa associação é a inflamação.

O estudo demonstrou que a quantidade de gordura visceral é um preditor mais preciso para o risco de insuficiência cardíaca do que o peso corporal total ou o Índice de Massa Corporal (IMC). Medidas maiores de circunferência da cintura e da relação cintura-estatura mostraram-se associadas a um maior risco, mesmo para pessoas com o IMC dentro da normalidade, sugerindo que o local onde a gordura é armazenada é mais crítico do que o peso na balança.

"Esta pesquisa nos ajuda a entender por que algumas pessoas desenvolvem insuficiência cardíaca apesar de terem um peso corporal aparentemente saudável", explica Szu-Han Chen, autor principal do estudo e pesquisador da Universidade Nacional Yang Ming Chiao Tung, em Taiwan. "Ao monitorar a circunferência abdominal e a inflamação, os médicos podem ser capazes de identificar pessoas com maior risco mais cedo e concentrar-se em estratégias de prevenção".

A inflamação sistêmica atua prejudicando a função imunológica, danificando vasos sanguíneos e promovendo a formação de tecido cicatricial no coração. Segundo os dados da pesquisa, os participantes com níveis mais altos de inflamação no sangue (medidos pela proteína C-reativa) apresentaram maior probabilidade de desenvolver a doença. A inflamação foi responsável por cerca de um quarto a um terço da relação entre gordura abdominal e o risco cardíaco.

A análise acompanhou 1.998 adultos do Estudo Cardíaco de Jackson por uma média de 6,9 anos. Durante o período, 112 participantes desenvolveram insuficiência cardíaca. Sadiya S. Khan, professora da Universidade Northwestern, ressalta que o estudo destaca a necessidade urgente de integrar medidas de adiposidade central, como a fita métrica na cintura, aos cuidados médicos preventivos de rotina.

Fonte: Associação Americana do Coração (AHA)